segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Veja o recente lançamento do "Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia", elaborado pela Profa. Larissa Mies Bombardi da Faculdade de geografia da USP.

Trata-se de um levantamento de dados exaustivo e sem precedentes sobre o consumo de agrotóxicos no Brasil (todos com fontes oficiais) e faz um paralelo com o que acontece na União Européia. Conta com uma introdução sintetizando o trabalho de pós-doutoramento da professora e, a partir da página 67, são mais de 200 páginas com infográficos que esmiuçam, quantificam e facilitam a compreensão do TAMANHO DO PROBLEMA.

Considero de leitura obrigatória, não só para os profissionais das ciências agrárias, saúde e economia, mas para todos os que se alimentam e bebem da água produzidos neste país.... Não querendo ser alarmista, mas já sendo... Só democratizando as informações é que vamos conseguir mudar alguma coisa neste país. O Atlas encontra-se no formato digital para download gratuito no link:
Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Européia .
ou para compra no formato impresso, a partir do dia 11/12/2017, no blog:
Compra do Atlas "Geografia do Uso de Agrotóxico no Brasil e Conexões com a União Européia"

Boa leitura!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Com ALEGRIA COMUNICO QUE O 11°CONGRESSO NACIONAL DE SINDICATOS DE ENGENHEIROS APROVOU A SEGUINTE MOÇÃO:

IMPORTÂNCIA DE PRESERVAR A FLORESTA DE CAMBOATÁ

Por meio de relatórios técnicos, palestras, entrevistas e contatos com órgãos técnicos e entidades da sociedade civil, os pesquisadores Rogério Gribel e Haroldo Lima expressaram o seguinte posicionamento quanto à construção de um autódromo no fragmento florestal do Centro de Treinamento de Camboatá:

As florestas em terrenos ondulados de baixa altitude foram suprimidas quase na sua totalidade no município do Rio de Janeiro, especialmente pela facilidade de utilização para atividades agrícolas e pecuárias, bem como pela expansão da malha urbana. O remanescente florestal de Camboatá, entre as cotas de 35 e 50 m de altitude, resguarda uma pequena amostra (cerca de 80 hectares) de um tipo de floresta que praticamente não existe mais na região. Neste fragmento sobrevivem dezenas de milhares de árvores nativas e sua fauna associada. Com base nos dados disponíveis, a área da Floresta de Camboatá revelou ser muito diversificada biologicamente, com presença de espécies vegetais e animais raras, endêmicas e ameaçadas de extinção. A proteção feita pelo Exército Brasileiro deste peculiar fragmento florestal de Camboatá, no meio de um ambiente urbano densamente urbanizado e a beira da Avenida Brasil, é um fato notável. Pela ação do Exército, foram conservadas, até os dias atuais, amostras representativas da imensa biodiversidade que ocorria neste tipo ecossistema.

Por sua localização estratégica na paisagem do Município do Rio de Janeiro, entre os Maciços da Tijuca, Pedra Branca e Gericinó-Mendanha, a Floresta de Camboatá provavelmente funciona como ponto de parada, descanso e alimentação para animais alados (aves, morcegos, grandes abelhas) que se deslocam entre os referidos maciços. Desta forma, as populações destas espécies podem se conectar e, portanto, não ficam geneticamente isoladas. Adicionalmente, esses animais podem promover a movimentação de pólen e sementes entre as florestas dos maciços, minimizando também os efeitos deletérios do isolamento genético para as espécies vegetais. Áreas de conexão, como a Floresta de Camboatá, mesmo se relativamente pequenas, cumprem funções desproporcionalmente importantes para a manutenção da viabilidade genética de populações de animais e plantas nativas nas áreas naturais do município do Rio de Janeiro. Portanto, sua conservação deve ser vista de forma prioritária.

Caso a área seja disponibilizada para outro fim social, o ideal seria considerar o uso da mesma para o lazer da população do entorno e para a conservação do fragmento florestal remanescente, por meio da criação de um grande parque urbano (“Parque Natural Municipal do Camboatá”). As instalações das estruturas de lazer (ciclovias, quadras esportivas, anfiteatros, etc.) poderiam ser feitas nas áreas já desflorestadas circundantes ao fragmento, cerca de 68 hectares somente na área do Campo de Instrução de Camboatá. Seria um espaço importante para as comunidades que vivem nos bairros da Zona Norte e nos municípios da Baixada Fluminense próximos.Concomitantemente, se conservaria a mancha central de cerca de 80 hectares da floresta remanescente, de preferência como área intangível.Desta forma, se conciliaria a conservação do raro fragmento florestal com o incremento da qualidade de vida de milhões de pessoas que vivem no entorno, tão carente de áreas para contato com a natureza, lazer e esporte.

A construção de um autódromo na Floresta de Camboatá levaria a degradação deste importante remanescente florestal, além de gerar altos níveis de poluição sonora em local residencial. Portanto, esta iniciativa nos parece muito inadequada do ponto de vista ambiental e social.  Para este autódromo, sugerimos estudos para identificar alternativas locacionais, de preferencia em áreas que já tenham sido ambientalmente degradadas e que sejam afastadas de zonas residenciais densamente povoadas.

Rogério Gribel e Haroldo Lima